
Foto: Fifa.com
Uruguai e Holanda — quase ninguém poderia imaginar que essas duas seleções se encontrariam nas semifinais da Copa do Mundo. Mas, graças a um bom esquema tático, uma forte linha de defesa e um setor ofensivo aplicado, ambas as seleções traçaram os seus caminhos para chegar a uma das semifinais, que será realizada nesta terça-feira à noite, na Cidade do Cabo. Restará ao perdedor o prêmio de consolação: a disputa do terceiro lugar e também a certeza de que é uma das quatro melhores seleções do mundo.
O jogo
Uruguai x Holanda, semifinal, Cidade do Cabo, terça-feira, 6 de julho, 20h30 (15h30 em Brasília, 19h30 em Lisboa)
Depois da dramática vitória sobre Gana na decisão por pênaltis, o Uruguai volta à fase semifinal de uma Copa do Mundo da FIFA pela primeira vez em exatos 40 anos. Em 1970, a Celeste caiu diante do Brasil (que viria a ser o campeão) por 3 a 1 e acabou terminando a competição em quarto lugar. Já a Holanda, que surpreendeu o pentacampeão Brasil e venceu por 2 a 1, está pela quarta vez em uma semifinal (as outras foram em 1974, 1978 e 1998).
O único duelo entre esses dois países em uma Copa do Mundo da FIFA aconteceu em 1974, na primeira fase da competição. Naquela ocasião o elenco comandado em campo por Johan Cruyff venceu por 2 a 0, com ambos os gols marcados por Johhny Rep. Pablo Forlán, pai do artilheiro Diego Forlán, era zagueiro e estava no elenco do Uruguai naquele torneio.
Para a semifinal de 2010, tanto Oscar Tabárez, técnico do Uruguai, quanto Bert van Marwijk, treinador da Holanda, terão problemas para escalar as suas respectivas equipes. Do lado sul-americano, Jorge Fucile e Luis Suárez não poderão atuar — na partida contra Gana, Fucile recebeu o segundo cartão amarelo e Suárez foi expulso do jogo. Além disso, Diego Lugano está com uma contusão no ligamento do joelho e é duvida para a partida. Como se não bastasse, o talentoso Nicolás Lodeiro encerrou a sua participação no torneio de forma precoce devido a uma fratura no pé. Do outro lado, Van Marwijk precisa encontrar substitutos para Gregory van der Wiel e Nigel de Jong, ambos fora da semifinal por terem recebido o segundo cartão amarelo no confronto contra o Brasil.
O duelo
Diego Forlán x Wesley Sneijder
É bem provável que eles não se encontrem em campo, mas todas as atenções deste jogo recairão sobre os dois artilheiros das suas respectivas seleções. Com três gols, Forlán é o goleador uruguaio ao lado de Luis Suárez, que, devido à expulsão no último jogo, terá de se contentar em assistir à partida decisiva com a torcida no estádio. Assim, Forlán será o grande responsável pelo ataque uruguaio. O atacante já anotou 27 gols com a camisa azul celeste. Porém, todos os seus quatro gols marcados em Copas do Mundo da FIFA foram contra seleções africanas.
Sneijder, por sua vez, não só é um grande atacante (quatro gols), como também é o responsável pela criatividade do setor ofensivo holandês. Com apenas 1,70 metro de altura, todos sabiam que o habilidoso atleta poderia decidir partidas por meio de passes precisos. A novidade é que agora ele também faz gols, inclusive de cabeça, como no jogo contra o Brasil.
O número
100 — A série de sucessos da Holanda é mais do que impressionante. Neste ano de 2010, a seleção do técnico Bert van Marwijk está com um aproveitamento de 100%, pois venceu as nove partidas que disputou. No total, está invicta há 24 jogos. Já o saldo do Uruguai em 2010 não fica muito atrás: dos sete jogos realizados, possui cinco vitórias e dois empates, resultando em um aproveitamento de 77,7 %. A Celeste está há nove jogos sem conhecer uma derrota.
O que eles disseram
“Será um jogo muito perigoso. A euforia na Holanda é enorme. Acho que é bom estarmos longe e não nos deixamos levar por esse clima do ‘já ganhou’. Temos de nos concentrar apenas no Uruguai, o que não é uma tarefa simples. Os uruguaios não chegaram à semifinal por acaso. Temos de estar 100% concentrados e em nenhum momento podemos pensar que já ganhamos.” Bert Van Marwijk, técnico da Holanda
“Os holandeses são um adversário muito difícil. Há quase dois anos eles não perdem um jogo. Eles têm uma seleção muito equilibrada e estão atuando de forma diferente do seu tradicional estilo de jogar. Quase não deixam espaços para o adversário na defesa e, no meio de campo e ataque, possuem jogadores técnicos, rápidos e versáteis como Van Bommel, Sneijder e Robben. Eles têm o ímpeto de sempre atacar. Será difícil, mas não impossível.” Oscar Tabárez, técnico do Uruguai
Fifa.com
