O Campeonato Cearense termina no próximo domingo (2) e, encerrado o torneio, sempre vem a reflexão a respeito da continuação ou não dos estaduais. Por quais motivos mantê-los?
O portal R7 listou cinco elementos para a discussão, a favor e contra esses campeonatos.
Por que sim
Dinheiro no cofre
Os Estaduais são ainda um fator importante de arrecadação, especialmente para os grandes clubes: rendem direitos de TV, boas premiações das federações e verba extra dos patrocinadores.
Exposição
Ser campeão estadual rende horas e horas de comentários em mesas redondas, páginas especiais na internet e pôsteres na contracapa dos jornais, com a marca do clube – e dos patrocinadores – sendo exposta positivamente.
Rivalidade
Todo título é saboroso para o torcedor, e melhor ainda quando conquistado em cima de um rival próximo. Fica mais fácil para comemorar e tripudiar sobre os amigos torcedores de outros times.
Democratização
Impedir que os clubes menores joguem contra os grandes é relegá-los a um papel cada vez menor e menos relevante no cenário do futebol. E acabar com os pequenos pode complicar outros fatores, como a revelação de jovens talentos. Além disso, levar os grandes clubes para jogar em outros centros ajuda a cativar novos torcedores.
Tradição
O Campeonato Paulista começou em 1902; o Carioca, quatro anos mais tarde. Acabar com torneios centenários e que já foram muito importantes é apagar uma parte da história do futebol brasileiro.
Por que não
Falta de tempo
Num calendário tão apertado, reservar mais de três meses para os Estaduais é dar tempo demais para torneios de baixo nível técnico, com dezenas de jogos que pouco valem para o resultado final. Esse tempo poderia ser melhor aproveitado com alguns dias a mais de pré-temporada e um período para que os clubes possam ganhar dinheiro e fazer intercâmbio em torneios amistosos no exterior, por exemplo.
Politicagem
Os Estaduais só sobrevivem hoje em dia por causa de interesses políticos. São moeda de troca da CBF com as federações estaduais, e destas com os clubes menores, tudo isso por causa de votos nas eleições, e não por interesses técnicos ou esportivos. Não é à toa que o Carioca, que por muitos anos teve 12 participantes, hoje é disputado por 16 equipes.
Segundo plano
Os técnicos e dirigentes dos grandes clubes não se cansam de dizer que os Estaduais, da forma como estão, servem apenas como complemento para a pré-temporada. E tome reservas em campo, muitas vezes frustrando o torcedor, que sempre espera ver seu time ganhando tudo o que disputa.
Guilhotina de técnicos
O técnico não tem tempo para uma pré-temporada decente e poupa jogadores ainda fora de forma; o time perde e o torcedor se frustra; e o dirigente, que dizia que o Estadual não era a prioridade, não se furta a mandar o técnico embora. Para ficar apenas no Paulista e no Carioca, foi o que aconteceu com três dos times de maior torcida no país, Palmeiras, Vasco e Botafogo, que trocaram de técnico por causa de maus resultados nos Estaduais.
Estádios às moscas
Se os clássicos lotam estádios, as partidas entre clubes de pouca expressão geralmente têm pouco público e, por extensão, uma renda pequena. O finalista Santo André, por exemplo, teve um público de apenas 1.470 torcedores no jogo contra o Monte Azul, quando praticamente assegurou sua classificação para as semifinais. A renda foi de cerca de R$ 22 mil e não deu nem para cobrir todas as despesas do jogo – o prejuízo foi de R$ 2.590.
Informações do Portal R7