Para quem ainda tinha dúvidas se Geraldo ia se firmar mesmo como ídolo alvinegro ou não, no último sábado (21) teve certeza que sim. Que jogador marca um gol e faz praticamente um estádio inteiro se emocionar? Não pelo fato de ser o gol da vitória, que claro já seria emocionante, mas por ter sido marcado por quem viveu três meses de duras críticas tanto da imprensa quanto da torcida. Para conseguir facilmente encher os olhos de um torcedor de lágrima, se não for ídolo, é o que?
O camisa 10 sempre deixou muito claro seu amor pelo Vovô. Ainda na era PC Gusmão, o técnico chegou a afirmar que, por mais que o jogador não estivesse em boa fase, sua presença em campo era essencial para empurrar os companheiros e dar raça ao time. No clássico-rei, aliás, durante o Campeonato do Nordeste, mesmo quando foi substituído, lembro que saiu de campo batendo na veia e mostrando que o sangue é realmente preto e branco. No banco, não é difícil você encontrá-lo gritando para os jogadores que estão atuando. Ele grita e orienta tanto quanto o treinador que está à beira do campo, se duvidar até mais.
No último sábado, na comemoração do gol da vitória em cima do Grêmio, no Castelão, a primeira coisa que fez foi abrir os braços para a torcida e mostrar a camisa que veste com todo orgulho e amor. Depois, caiu no chão e desabou no choro, recebendo em seguida um abraço de Washington.
Eu mesmo fui um dos que queimou a língua com Geraldo. Durante a última rodada, quando ele entrou, comentei com um amigo que ele só caia dentro de campo e não entendia como ainda tinham paciência com o atleta. Graças a ele próprio e seu talento que voltou a ser colocado em prática, finalmente entendi e confesso que, independente para que time torça, senti vontade de dar um abraço pessoalmente e parabenizá-lo pela superação.
Na coletiva dentro dos vestiários, o ídolo alvinegro desabafou: “Nos criticaram bastante, e aqui no Ceará quando alguém é criticado, todo o grupo sofre. Nosso grupo é muito fechado e unido, por isso que quando alguém não está bem todos tentam passar força. O Mota me ligou ontem da Coreia e me deu muita força, disse que a fase ruim ia passar, e que eu marcaria um gol. Já o Sérgio Alves é um cara fantástico. Passou a semana conversando comigo e me dando apoio”.
O G-10 também contou que dentro dos vestiários “todos os jogadores vieram me abraçar e me disseram que ninguém melhor que eu pra fazer o gol que deu os três pontos pra nossa equipe. O que eu quero é jogar, nem que seja 10 minutos pra tentar dar a minha contribuição dentro de campo”.
Parabéns Geraldo! Que você volte a brilhar como já brilhou antigamente.

