O Ceará escapou de uma punição no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) na tarde desta sexta-feira (2) de outubro, por conta de confusões ocorridas na partida contra o Paraná, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Em longo julgamento na Quarta Comissão Disciplinar, os auditores decidiram, por dois votos a um, absolver o alvinegro, enquanto a Federação Cearense de Futebol, pelos mesmos incidentes, acabou multada em R$ 1 mil.
A partida em questão foi vencida pelo Paraná por 1 a 0, com um gol de mão marcado pelo atacante Wellington Silva, validado pelo árbitro Charles Hebert. No intervalo do jogo, revoltados com a atuação da arbitragem, os jogadores do Ceará foram reclamar e deram origem a uma grande briga no campo. O goleiro Lopes, transtornado, chegou a empurrar o zagueiro Gabriel, do Paraná, e teve que ser contido pelos companheiros, segundo a narrativa do próprio árbitro na súmula, que ainda afirmou que pessoas ligadas ao Ceará teriam agredido Gabriel.
O tenente-coronel Júlio Rocha, responsável pelo policiamento no dia da partida, prestou depoimento. Ele disse que estava no posto de comando, onde tinha uma visão mais ampla do estádio Castelão, e que não desceu para o gramado durante a confusão, pois tinha uma visão melhor de onde estava. Júlio disse que não houve agressão por parte do goleiro Lopes e do segurança do Ceará, mas sim uma tentativa de tirar o zagueiro paranista do local, onde estavam os atletas do Ceará. Ele também disse que foi o jogador do Paraná quem provocou a confusão ao se aproximar dos jogadores do Ceará sem necessidade, pois os vestiários ficam situados em lados opostos.
O advogado Irazê Gadelha defendeu o clube na tribuna. E logo no começo de sua sustentação já criticou o árbitro. Para ele, quem causou a desordem foram os jogadores paranistas, provocaram os atletas do Ceará. O defensor ainda apresentou cinco ofícios feitos pelo clube para garantir a segurança no dia do jogo. Quanto a Lopes, Gadelha diz que o goleiro teve a intenção apenas de proteger seus companheiros da provocação do zagueiro Gabriel, que disse “que no segundo tempo haveria mais basquete”, em alusão ao gol de mão.
O advogado ainda criticou, já ao fim da defesa, o fato de que o atacante Wellington Silva, autor do gol de mão, não foi denunciado, enquanto o Ceará, a maior vítima no entendimento de Irazê Gadelha, acabou denunciado pela Procuradoria do STJD.
O goleiro Lopes teve seu caso adiado para que outros envolvidos também sejam julgados, como o zagueiro Gabriel, com quem se desentendeu, e o atacante Wellington Silva, ambos do Paraná. Um segurança do Ceará também deve ser denunciado e, assim como os demais, julgado na próxima sessão da Quarta Comissão do STJD.
Fonte: Justiça Desportiva
