Dia estranho hoje. Primeiro demorou a amanhecer, depois, quando desci do carro houve um leve sereno rápido e repentino. Quando entrei na redação, não encontrei a pessoa da Jangadeiro com a qual eu mais discutia sobre futebol. Era um editor de imagens, Júnior Mendes. Torcedor fanático do Ceará, ele tinha na ponta da língua todas as novidades sobre o time dele.
Era fã incondicional do artilheiro Sérgio Alves. Trazia sempre uma carta na manga pra qualquer crítica que eu fizesse sobre o alvinegro. Como eu sou tricolor, o embate já fazia parte do nosso cotidiano. E hoje, dia de jogo dos dois times pela Copa do Brasil…era discussão na certa.
Junior Mendes partiu para outro plano, outra vida. Já há algum tempo sentia muito a ausência dele ao lado do computador que eu uso. Por incrível que pareça, ficará a saudade das ironias dele contra o meu time, de não parar de repetir que o Ceará estava na primeira divisão, que o Fortaleza está na terceira e que, obviamente, o time dele era melhor que o meu.
É que Júnior era muito mais que isso. Era um ótimo editor, inteligente – gostava como ninguém dos anos 80 – e muito prestativo. Enfim, uma pessoa rara nesses dias de hoje.
…Falo sobre isso pra dizer que as minhas discussões sobre o futebol com o Júnior Mendes serviram pra nos aproximar ainda mais. Ponto pra nós. Mas, reflito que esse conflito de paixões era tão menos importante que tantas coisas… e quando eu penso que tem gente que tira a vida dos outros por causa de futebol… eu aqui faria tudo pra ter meu amigo de volta… pra colocarmos um ponto final na nossa conversa e dizer: “Cara, fazemos parte do mesmo time”.


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